Outras Histórias de São Domingos de Gusmão


A mãe tem um sonho que revela a missão de São Domingos

Dona Joana era uma mulher…muito querida por ser compassiva e generosa com os pobres e necessitados. (p.19)

Contra a tradição que Dona Joana, quando grávida de Domingos, certa noite sonhou com um cachorro branco e preto que segurava na boca uma tocha, com a qual ia incendiando o mundo por onde passava. Preocupada com um sonho tão singular, foi visitar o mosteiro de São Domingos de Silos, próximo a Caleruga, e pediu ao monge que fizesse a interpretação daquele sonho. Na intimidade de sua oração, ouviu a seguinte resposta: “Seu filho será um fervoroso pregador do Evangelho e com sua palavra atrairá muitos à conversão e alertará os pastores da Igreja contra seus inimigos”. (p.20)

Esta resposta tranqüilizou Dona Joana, que esperou pelo tempo em que o Senhor cumpriria o Seu desígnio. Por isso, os escultores e pintores representam São Domingos de Gusmão acompanhado de um cão com uma tocha na boca, com uma significativa legenda: “Domini canis”, isto é “Cães do Senhor”.

O batismo

O menino do sonho misterioso nasceu a 24 de junho de 1170. Foi batizado na Igreja paroquial de São Sebastião de Caleruega e, em gratidão a São Domingos de Silos, seus pais lhe puseram o nome de Domingos. (p.22)

Durante a cerimônia do Sacramento do Batismo, sua mãe viu uma luz à frente do menino, com um resplendor extraordinário. Desde então, essa luz nunca mais deixou de iluminar seu rosto. Depois de cinqüenta anos, irmã Cecília Romana, discípula de São Domingos, escreveu: “De sua face saía certo resplendor que seduzia a todos e arrastava-os ao seu amor e reverência”. Esta maravilhosa graça é representada por uma estrela na testa de Domingos; por isso, a liturgia dominicana canta: “Oh! luz da Igreja, doutor da verdade…pregador da graça…”

Milagre do vinho

Joana era muito compreensiva…vendo a miséria dos pobres, doava muito de seus bens, distribuía também vinho de um certo tonel…(p.24)Nestas circunstâncias, chega Dom Félix, cansado…Dona Joana não tem uma gota de vinho para oferecer ao seu esposo, pois tinha dado tudo aos pobres. Naquele momento, lembra-se da maravilhosa passagem bíblica das Bodas de Caná da Galiléia e, tomando o menino Domingos nos braços, prostra-se em oração. Deus escuta seus pedidos e premia sua caridade, fazendo aparecer vinho no tonel…e logo veio o elogio do velho espanhol: “Dona Joana, que vinho tão saboroso!”…

O estudo da “Lectio divina”

O estudo da “sagrada página” ou “lectio divina”, como se custumava chamar o estudo da Teologia na época, ocupava-lhe todo o dia e parte da noite. Verdadeiramente, era incansável quando se tratava de estudo. Era um estudante austero e mortificado. Abstinha-se de beber vinho e daqueles passatempos que a juventude apreciava. Domingos vivia atento às necessidades do próximo e sentia-se profundamente solidário com os sofrimentos do outro. Fez de sua casa, a “casinha de esmola”, o dispensário onde os pobres podiam encontrar alimentos, roupas e até dinheiro para comprar a liberdade de algum cristão cativo dos mouros.

Os seus livros foram entregues parar ajudar os pobres

O método seguido na época obrigava a estudar os comentários bíblicos dos Santos Padres. As questões de difícil interpretação eram submetidas a uma disputa pública, …(que) terminava com o ditado de alguns comentários explicativos, chamados “glosas”. O aluno copiava-os em tábuas de cera e, ao voltar para casa, transcrevia cuidadosamente em seus livros de pergaminho, especialmente preparados com couro de cabra; eram, pois, muito valiosos.

Comovido pela extrema situação dos pobres, entregou tudo o que possuía e, quando já não tinha o que repartir, não duvidou em vender os seus livros de pergaminho, escritos por seu próprio punho. Quando seus mestres e companheiros tentaram impedi-lo, Domingos respondeu: “Não quero estudar com peles mortas, enquanto os homens morrem de fome”.

A humildade de São Domingos de Gusmão

Certo dia, uma pobre mulher apresentou-se a Domingos, suplicando-lhe, com lágrimas nos olhos, uma ajuda em dinheiro, para resgatar seu irmão, feito prisioneiro pelos mouros. Naquele momento, Domingos estava sem dinheiro e não sabia como ajudá-la. Então, “cheio do espírito de caridade, colocou-se à venda para resgatar o prisioneiro”…Assim, Domingos entendeu que o povo necessitava de outro tipo de ajuda. Oportunamente, Deus enviar-lhe-ia um mensageiro para ensiná-lo.

São Domingos, Cônego Regular

Na Universidade, Domingos conheceu e fez amizade com seu professor, Diego de Acevedo, cônego e prior do Cabido de Osma. A ele abriu seu coração e manifestou o desejo de ser sacerdote…(p.44) Desde aquele dia, Domingos começou a pertencer ao Cabido de Osma. Professou e jurou observar a Regra de Santo Agostinho, vestindo o hábito dos cônegos regulares…Desse modo, Domingos, incorporou-se definitivamente nesta feliz comunidade, no ano de 1196, com apenas vinte e seis anos de idade…Por sua profissão religiosa, renunciou à posse de bens. Visto ser de uma família rica, poderia herdar muitos bens e comodidades próprias de sua condição social. Deste modo, Domingos entrou pelo caminho estreito do segmento de Cristo, “que sendo rico se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza”. (p.45)

De acordo com seu novo estado de vida, Domingos passava longas horas do dia e da noite em oração e em discernimento dos projetos de Deus sobre sua vida.

Compaixão de São Domingos Gusmão

Domingos, cuja vida estava plenamente identificada com a de Cristo, “se comovia até a alma e chorava” pelos pecadores, pelos pobres, pelos doentes…

Em suas orações aos pés do sacrário, torrentes de lágrimas banhavam seu rosto, e seus irmãos podiam ouvir os gemidos de sua alma, aflita pelos sofrimentos da humanidade.

Suplicava entre soluços: “Senhor, que será dos meus irmãos pecadores?” Este era o gemido freqüente de sua alma…

Facilmente concede dispensa a seus irmãos, porém não se dispensa a si mesmo jamais. Tanto saudável quanto doente, observava todos os jejuns prescritos pela Regra.

“O Prior tenha no seu convento a faculdade de dispensar os irmãos, quando achar conveniente, principalmente aquele que impede o estudo, a pregação, e a salvação das almas; portanto, nosso empenho deve dirigir-se, em primeiro lugar e com plena dedicação, que possamos ser úteis as almas do próximo”.

Domingos não só pregava ao povo e aos hereges “quase que diariamente”, mas também aos irmãos. Queria que sua pregação fosse uma contínua conversão de todos. (p.179)

Ordenação Sacerdotal

A ordenação sacerdotal de Domingos, aos 25 anos, veio dar resposta à sua inquietude. O seu sacerdócio deu-lhe a faculdade de pregar o Evangelho.

O dono da hospedaria convertido

Dom Diego, Domingos e sua comitiva foram acolhidos numa hospedaria, de acordo com a dignidade de uma comitiva real. O cansaço de uma longa viagem a cavalo, não foi impecilho para que Domingos dedicasse seu tempo em conversar com as pessoas que ali se encontravam. O hospedeiro, escandalizado e confuso, ao ver o..bispo cavalgando em cavalos adornados, disse a Domingos:

-Devemos evitar a riqueza, porque a matéria é má e devemos viver segundo o Espírito.

-Você parece ser um cátaro, disse Domingos.

-É verdade, disse o hospedeiro.

-Diz-me, irmão – argumentou amavelmente Domingos – se a carne é má, por que o Verbo de Deus tomou nossa carne?…

O hospedeiro refletiu alguns instantes e, não encontrando resposta, disse em meia voz:

-Talvez tenha razão…deixe-me pensar…

O dialogo se prolongou até o amanhecer…Domingos dava graças a Deus pela alegria de haver resgatado para a Igreja, um irmão que andava pelos caminhos do erro.

O milagre dos escritos de São Domingos Gusmão

Naquela noite, os cátaros, sentados ao redor de uma fogueira, liam e comentavam os argumentos propostos por Domingos. De repente, surgiu a idéia de recorrer ao “Juízo de Deus”, próprio da época, para saber por meio de um milagre quem estava com a verdade. Para isso, deveriam jogar na fogueira o escrito de Domingos, juntamente com o do herege. Disseram: “aquele que saísse ileso da fogueira, seria reconhecido como portador da verdade. Havia chegado a hora em que o Senhor cumpriria sua promessa: “Ao serem julgados, não sois vós que falareis, mas o Espírito do pais que falará em vós”. (Mateus 10, 20). Sem discutir nem fazer mais preâmbulos, os cátaros lançaram ao fogo os escritos de Domingos e os seus. Para confusão de todos os presentes, o pergaminho de Domingos saiu voando aos ares…como se a maravilha que viram não os convencessem, insistiram: “Lancemos novamente ao fogo e assim comprovaremos a verdade, plenamente”. Pela segunda vez o pergaminho de Domingos foi lançado fora das chamas, sem se queimar. Não satisfeitos com o que viam, disseram: “Lancemos ao fogo pela terceira vez e então conheceremos a verdade, sem nenhuma sombra de dúvida”. E pela terceira vez o escrito de Domingos saiu intacto das chamas…No dia seguinte, os juízes cátaros se abstiveram de deliberar e ditar sentenças. Simplesmente sentiram-se derrotados e envergonhados. O pergaminho que continha os argumentos e respostas de Domingos desapareceu nas mãos do pregadores cátaros; porém, a verdade do sucedido transcendeu e impactou a muitos. O broche de ouro daquela disputa maior foi a conversão de cento e cinqüenta cátaros, que pediram para voltar ao redil da Igreja.

A vivência da pobreza

Iam de lugar a lugar como os Apóstolos: a pé, descalços, pregando a Boa-Nova e mendigando o pão de porta em porta.

A missão em Prouille

Daquela altura, contemplou a planície bem cultivada e viu oculta entre as árvores, a aldeia de Pruille,..

Conta a tradição que, durante três dias, Domingos viu arder sobre a cidade um globo de fogo; foi então que entendeu que Prouille estava marcada com o dedo de Deus para ser o centro de seu apostolado e o berço de sua Ordem.

A morte de seu amigo Diego

A morte de Diego, seu bispo e companheiro de pregação, longe de desanimar Domingos, reafirmou sua obra apostólica. Com perseverança e audácia, continuou pregando a Palavra de Deus em debates públicos e, no entardecer de cada dia, retornava a Prouville…

O milagre da barca

A barca seguia sobrecarregada e, quando menos esperavam, naufragou em frente à capela de Santo Antonio Abade de Toulouse. Os náufragos, em desespero, começaram a pedir auxílio aos gritos. Domingos, que orava na capela, saiu correndo para socorrê-los. Ao ver que estavam sendo arrastados pela corrente do rio, orou suplicante. Com os braços abertos em direção aos céus, fez com que as vítimas nadassem em direção à orla, sãos e salvos.

O exemplo de alegria de São Domingos de Gusmão

Quando tropeçava e caia, levantava-se contente, dizendo: “uma penitência a mais”.

Sabia vencer o sono

Em qualquer estação do ano, ele se encontrava no templo orando, diante de Jesus Sacramentado, até altas horas da noite. Para não se deixar vencer pelo sono, recorria a estratégia de fazer orar todo seu corpo; de joelhos, em prostração,…com os braços em cruz, ou elevado até o infinito.Domingos não se acostumava dormir na cama; preferia deitar e descansar no chão, enquanto a comunidade dormia placidamente.

Sofreu muitas perseguições dos cátaros

Domingos experimentou também as piadas, humilhações e maldades de seus inimigos. Nos povoados que missionava, principalmente em Carcassone, os cátaros o perseguiam constantemente. Onde o encontravam cuspiam-no, atiravam-lhe barro, o insultavam-no e jogavam palha seca pelas costas. Diante de tanto ódio, faziam tudo para ameaçá-lo de morte. Diante das ameaças, Domingos não fugia. Saía com seus passos naturais, com atitude de bondade e acolhida e respondia às suas ameaças, dando-lhes a razão de sua fé.

Fonte: https://biografiadossantos.wordpress.com/2010/05/24/sao-domingos-de-gusmao/